Sentindo
- lylian mercier
- 15 de mai.
- 1 min de leitura
Elas sentem o mar, o sol, o tempo
Também sentem ausências, silêncio e cor
Sentem raiva, medo e até saudade.
Sentem muito, sentem tudo,
e tanto que chegam a não sentir.
E nadam
Nadam para dentro, para o mar de dentro,
azul sereno, feroz, veloz, faminto.
Sentem que sentindo correm
para longe dos sentidos
e tropeçam, desdobrando-se.
Sentem que sentidas
se perdem não sentindo nada.
E nadam.
Sentem ondas, sentem sede, sentem água salgada.
Seguem sentindo
e sentem.
Lylian Mercier
Foto: Washington Barreto



É um poema que abraça a sensibilidade sem romantizar a dor. Ele mostra que continuar nadando, mesmo carregando tantos sentimentos, já é uma forma de coragem. Lylian Mercier conseguiu transformar emoção em movimento, como se cada verso respirasse junto com as ondas.
Esse poema é de uma delicadeza brutal. Ele fala sobre pessoas que sentem o mundo profundamente — o mar, o silêncio, a ausência, a saudade — e que, justamente por sentirem tanto, às vezes acabam se perdendo dentro de si mesmas. A imagem do “mar de dentro” é linda e intensa, porque transforma emoções em oceano: vasto, sereno, feroz e impossível de controlar completamente.
Que coisa mais linda ♡... senti tudo nessa poesia! Parabéns e obrigada por colocar suas palavras no mundo.
Que lindo! Amei a sensibilidade. Seus poemas são de tirar o fôlego!